O O ato migratório como recurso de sobrevivência psíquica:

considerações psicanalíticas sobre brasileiros no exterior.

  • Bruna Mabilia Lunardi CIPT

Resumo

O presente trabalho propõe uma reflexão psicanalítica sobre os processos subjetivos implicados na experiência migratória de sujeitos que saíram do seu país de origem em busca de melhores condições de vida, compreendendo o ato migratório em si como recurso para a sobrevivência psíquica. Esta se dá a partir da reconfiguração dos vínculos com os objetos primários e da construção da própria identidade em relação à alteridade. A análise parte de uma escuta clínica singular de sujeitos migrantes, realizadas a partir da psicoterapia on-line.

Conclui-se que a migração, mais do que um deslocamento geográfico, constitui uma travessia psíquica na qual o sujeito elabora perdas, reelabora vínculos e se reinventa simbolicamente. A clínica psicanalítica mostra-se como espaço privilegiado para essa reconstrução, permitindo que a experiência migratória, em vez de apenas traumática, seja transformada em um campo de criação e sobrevivência psíquica. Assim, migrar é também reinventar-se e, nesse movimento, o sujeito reencontra a possibilidade de continuidade de sua vida psíquica e de um novo pertencimento simbólico.

Palavras-chave: psicanálise; migração; sobrevivência psíquica; identidade; alteridade.

Publicado
2026-04-09