Prazer feminino: esse (des) conhecido
Resumo
Ao longo da história, a sexualidade humana foi sempre considerada enigmática, campo de inquietação e objeto de controle e normatização. A sexualidade feminina foi colocada a serviço da reprodução ou da satisfação masculina, na maior parte da história. O prazer sexual feminino oscilou entre inexistente ou perigoso, até a sexualidade feminina ser transformada em imagem no mercado do erotismo e apropriada pela indústria cultural. E atinge seu ápice pelo capitalismo das plataformas, por via da pornografia e da prostituição, transformando-se, assim, em um negócio bilionário em um sistema sexo-afetivo predominantemente heteronormativo, em que o corpo parece pertencer ao mercado. Temos uma sedução ampliada pelo erotismo virtual e pelo anonimato. A sexualidade continua um campo do paradoxo e de ambiguidades, apesar das múltiplas opções sexuais e das novas formas de apropriação do corpo, que impactam a economia psíquica do sujeito em sua fantasia, desejo e demais formações do inconsciente.