Cuidado paterno e suas implicações na psicoterapia
Uma Análise Psicodinâmica
Resumo
O estudo analisa a relação entre o cuidado paterno, os traumas na infância e a qualidade da aliança terapêutica em psicoterapia psicodinâmica. Parte-se do pressuposto de que a função paterna, para além de sua presença concreta, exerce papel estruturante na constituição psíquica, influenciando a capacidade de vinculação e de elaboração de experiências traumáticas. Trata-se de um estudo quantitativo, transversal e correlacional, realizado com 180 pacientes adultos em início de psicoterapia. Foram utilizados instrumentos psicométricos para avaliar traumas na infância, vínculo parental e aliança terapêutica. Os resultados evidenciaram alta prevalência de experiências traumáticas, especialmente abuso e negligência emocional, além de predominância de estilos parentais marcados por controle com baixo afeto. Observou-se que maior percepção de cuidado paterno está associada a uma melhor qualidade da aliança terapêutica, especialmente nas dimensões de vínculo e objetivos. Em contrapartida, experiências de negligência emocional apresentaram correlação negativa com a aliança, indicando prejuízos na capacidade de estabelecer relações de confiança. Conclui-se que a função paterna, quando exercida de forma afetiva e responsiva, pode atuar como fator de proteção, favorecendo a organização emocional e a construção de vínculos seguros. Os achados reforçam a importância de considerar a história de apego e as dinâmicas parentais no trabalho clínico, especialmente no manejo da relação terapêutica.